Na Perifa

Zeca TF e coletivo Tela Firme estimulam protagonismo na periferia de Belém

Com TV Comunitária e espaços de cultura e lazer, projetos sociais valorizam a comunidade

3 minutos, 25 segundos de leitura

11/10/2021

Por: Carla Costa e Wellington Frazão, Periferia em Foco

Zeca TF, ativista cultural do coletivo Tela Firme, em Belém do Pará. Foto: Harisson Lopes/Tela Firme

“Eu queria que a gente pudesse criar um mosaico de manifestações culturais dentro das periferias.” Essa frase é de Francisco Batista, popularmente conhecido como Zeca TF, 42 anos, que vive no bairro Terra Firme, periferia de Belém do Pará. Zeca conta que o que lhe prende ao bairro é garantir, mesmo que em poucos momentos, que a garotada tenha um pouco de lazer e cultura: “Queremos cinema, espaços de lazer para andar de skate, quadras esportivas e um local seguro para a garotada empinar pipa. Quando eu falo cultura e lazer quero dizer que esses espaços precisam invadir esses territórios”. Os projetos que mais movimentam o bairro, segundo o ativista, são uma TV comunitária e um espaço integrativo. Zeca pretende continuar a apoiar seu território.

Terra Firme tem cerca de 60 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo sendo considerado um dos mais populosos de Belém, o território tem poucos espaços de lazer e de cultura

Coletivo Tela Firme

Com o objetivo de dar visibilidade ao bairro também no audiovisual, Zeca criou o coletivo de mídia alternativa Tela Firme. O canal, online, existe desde 2014 e produz minidocumentários, reportagens da caminhada comunitária e registros fotográficos. A ideia surgiu em uma conversa com amigos. Era novidade, mas a proposta foi abraçada, implementada e ainda hoje é referência em termos de valorização da comunidade e dos moradores, e inspira outras periferias a contar suas histórias.

A programação é divulgada pelo Youtube, em formato parecido com o da TV aberta, com o diferencial de as notícias terem a cara e o jeito da quebrada. “O objetivo era mesmo desestigmatizar nossa quebrada que sempre foi muito criminalizada pelos grandes veículos de comunicação de massa”, afirma Zeca.

As vivências da população da Terra Firme servem de base para os programas. Para Zeca, os moradores são família — há divergências, mas sempre procuram se ajudar e superar adversidades. “Vejo as pessoas que moram na quebrada com muito senso de solidariedade, mesmo com tudo que enfrentam. O bairro, para mim, é um território em constante construção. Um lugar de resistência, de luta, de alegrias e tristezas”, comenta.

No ano de 2019, o Coletivo Tela Firme foi contemplado com uma emenda parlamentar que possibilitou a realização do projeto Nós na Tela, que produziu vídeos sobre o bairro e uma cartografia comunitária e participativa do território. As outras produções são feitas com recursos próprios, bem limitados, e podem ser vistas nas redes sociais.

Chalé da Paz

A cartografia comunitária e participativa da Terra Firme, mencionada acima, foi feita a partir de um levantamento dos diversos equipamentos existentes no território e, junto aos moradores, mapeou iniciativas do bairro.

O Chalé da Paz é uma delas e virou referência. Também idealizado por Zeca, trata-se de um espaço para o desenvolvimento comunitário. Recebeu esse nome como símbolo de esperança, já que ali morou Anderson Rafael, morto a facadas em 2014. Ele tinha 24 anos. O assassinato causou comoção entre os moradores. A irmã de Anderson colocou a casa à venda e Zeca teve a ideia de transformá-la em um lugar de vida.

As primeiras ações sociais no Chalé começaram em 2018, com o café das mães, o apoio a moradores que jogam futebol e uma série de atividades para crianças. “Ter um trabalho a partir da organização popular é nascer dentro de um contexto que exige pensar e buscar soluções, respeitando o contexto em que estamos inseridos.”

Entre as muitas ações das quais participa, Zeca TF colabora com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que atua em Belém na luta por migração digna a refugiados venezuelanos; o Movimento de Emaús, de assistência social no bairro do Bengui; e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), que fica no Guamá

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