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Redução de embarcações ameaça direito de ir e vir na Ilha de Paquetá

O bairro tem cerca de cinco mil moradores que dependem essencialmente do transporte aquaviário da concessionária CCR Barcas — e o serviço é muito ruim

3 minutos, 14 segundos de leitura

30/07/2021

Por: Felipe Migliani

Meio e mensagem: o movimento Respeita Paquetá luta pelo direito de ir e vir dos moradores da Ilha. Foto: divulgação

Imagine viver numa ilha que depende das embarcações de uma concessionária que permite atrasos e reduz a oferta viagens, causando aglomerações em plena pandemia. Esse é o drama dos moradores da Ilha de Paquetá

Reportagem de Felipe Migliani, PerifaConnection, no Rio de Janeiro

Ao fundo da Baía de Guanabara e a 18 quilômetros do centro do Rio de Janeiro, encontra-se a bela Ilha de Paquetá. O bairro tem cerca de cinco mil moradores. Para entrar e sair, eles dependem essencialmente do transporte aquaviário ofertado pela concessionária CCR Barcas. Mas o serviço ruim e os horários reduzidos têm ameaçado o ir e vir da população.

O professor de educação física Bruno Reis é um dos prejudicados. “Tinha dias que retornava no horário das 22h15. Agora, só tem dois horários à noite, que são 18h50 e 23h10. Estou saindo do trabalho às 21h e chegando em casa depois das meia-noite para no dia seguinte acordar 4h20 e pegar a barca de 5h10”, relata.

Os moradores reclamam que os atrasos são constantes e nos horários de pico as embarcações ficam lotadas. Em setembro de 2020 houve uma aglomeração de mais de 800 pessoas na estação de Paquetá. Por falta de embarcação, passageiros tiveram que dormir numa praça da ilha e só puderam embarcar no dia seguinte.

Tudo começou em dezembro de 2019, quando a CCR Barcas modificou a grade a pretexto de “melhorar a eficiência”. Houve corte de sete viagens na ida e na volta em dias úteis. Nos finais de semana, a redução foi de 25 percursos para apenas 12. A concessionária justificou, então, que as alterações eram necessárias por causa de um desequilíbrio financeiro de R$ 70 milhões por ano, desde que a concessão teve início, em 1998.

A CCR Barcas também tentou incluir uma parada em Cocotá, que aumentaria o tempo de viagem ao centro de 50 minutos para 1h40. Mas após diversas manifestações dos moradores na causa Respeita Paquetá – mais barcas e menos pandemia, a justiça do Rio rejeitou a mudança no trajeto.

 

Mobilização do movimento Respeita Paquetá, em defesa de um transporte de qualidade entre o centro do Rio e a Ilha de Paquetá. Foto: divulgação

Os moradores seguem mobilizados e em contato com o poder público estadual e o municipal, na busca por soluções. O diálogo se dá especificamente com a Secretaria Estadual de Transportes (Setrans) e a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR). José Augusto Pires, presidente da Associação de Moradores de Paquetá (Morena), explica que a SMTR foi convocada para participar do debate sobre um novo modelo de transporte aquaviário na Baía de Guanabara. “A Setrans reconhece que o atual modelo de contrato de concessão é péssimo para o poder público, para os usuários e só beneficia a concessionária. Eles estão abertos. Pode ser para uma única empresa ou para mais de uma, fatiando e talvez tornando mais competitivo e melhor o serviço”, diz José Augusto. A subsecretária de Mobilidade e Integração Modal do Estado, Paula Azem, confirmou o diálogo com os moradores e o convite à SMTR para participar do debate, já que o trajeto Paquetá-Centro não é intermunicipal.

Paula explicou que a construção do novo modelo levará cerca de 20 meses. A ideia é estar pronto até 2023, quando acaba o contrato de concessão da CCR Barcas.

A causa Respeita Paquetá conseguiu fazer o poder público incluir a participação dos moradores na construção de um novo plano. O que se vê pela frente, porém, ainda são mais dois anos de luta e resistência. Questionada sobre aglomerações e atrasos, a CCR Barcas não retornou o contato feito pela reportagem.

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