Carsharing

Serviço de compartilhamento é alternativa para quem desistiu de ter carro. As startups, e até uma prefeitura, oferecem o carsharing de todos os tipos de veículos e até modelos elétricos



A ideia de compartilhar um só veículo para diversos motoristas (carsharing) foi a primeira semente plantada no conceito que hoje se dissemina como “Carro como um Serviço”, do inglês “Car as a Service” (CaaS).

Segundo um estudo publicado pela University of California Transportation Center (UCTC), as primeiras experiências surgiram de pequenas iniciativas na Europa, como uma cooperativa de Zurique (Suíça), em 1948, que decidiu comprar um carro para várias pessoas compartilharem.

Outros projetos apareceram, ganhando força a partir da década de 1980, quando já existiam mais de 200 organizações de carsharing, principalmente nos países europeus. 

No Brasil, a pioneira no compartilhamento foi a Zazcar, em 2009, que usou alguns formatos de contratação até chegar aos aplicativos, em 2016.

O atendimento a pessoas físicas, contudo, foi encerrado em 2019. Mas o modelo de carsharing de curto período, ou o aluguel de horas a dias, continua crescendo por empresas alternativas ao Rent a Car (as tradicionais locadoras). 

Para Milad Kalume Neto, gerente de desenvolvimento de negócios da consultoria Jato do Brasil, a modalidade foi muito afetada pela pandemia. “Enquanto a vacina não chegar, esse serviço não será viável. Pegar um veículo e liberar a ignição por um celular, utilizá-lo e devolvê-lo depois de uma ou duas horas desaparece no atual cenário”, avalia. 

moObie preza as conexões humanas

Tamy Lin, fundadora da moObie: Queremos criar conexões humanas pautadas no senso de comunidade, em que nossos parceiros usem seus carros de forma inteligente

Novos investimentos até foram congelados e alguns players mudaram o foco dos negócios, mas quem segue na modalidade já havia montado a estrutura antes da pandemia.

Para manter a segurança, as empresas que apostam no carsharing estabeleceram algumas medidas de segurança, como a higienização do veículo entre um usuário e outro.

A moObie é uma plataforma de aluguel que, em 2017, implantou o conceito “peer to peer” (P2P), de pessoa para pessoa e hoje conta também com a parceria de locadoras e seguradoras. “Em um mundo cada vez mais conectado, a moObie quer criar conexões humanas pautadas no senso de comunidade, em que nossos parceiros usem seus carros de forma inteligente, transformando custos em renda extra. Já nossos clientes enxergam a mobilidade urbana e a locação de veículos de maneira prática e menos burocrática”, define Tamy Lin, fundadora da moObie. 

O custo é o do aluguel, além de uma taxa operacional e de seguro.

O interessado acessa o app da moObie, faz o cadastro com o cartão de crédito e a CNH pelo celular. Depois, é só buscar um automóvel disponível em um mapa de localização, verificar preço e solicitar a reserva.

Na outra ponta, o proprietário visualiza o pedido e tem autonomia para aceitá-lo ou não. Os dados do veículo são utilizados para se chegar a uma sugestão de valor da diária. “Com essa sugestão, o parceiro pode reduzir em até 50% o valor ou aumentar em no máximo 100%”, explica Tamy. 

A empresária garante que o serviço tem preços melhores do que os de locadoras convencionais, sem a necessidade de depósito caução. A escolha não é por grupos de veículos e sim por modelos e todos possuem seguro Liberty ou Sulamérica Auto. Com frota de mil carros, a moObie atua em 190 cidades em todos os estados, com aluguel a partir de uma diária. A higienização dos carros é combinada entre cliente e parceiro.

  • Frota de mil veículos de parceiros
  • Presente em 190 cidades do País

“Estamos iniciando uma parceria com pequenas e médias locadoras”, revela Tamy, sobre o novo serviço de aluguel mensal, reflexo da pandemia. Em dois meses de operação, ele já representa 20% do total de aluguéis na plataforma. 

Omni vai incluir carros de pessoas jurídicas

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João Victor Cachola, fundador e CEO da empresa: Se andar 300 km em um dia, o usuário pagará R$ 117 de aluguel

Neste mesmo estilo “airbnb dos carros” e carsharing, a Omni surgiu em 2019 nas cidades de Porto Alegre e Campinas, na modalidade P2P – entre pessoas físicas.

“Poderíamos estar em todo território nacional, mas preferimos deixar o modelo bem ajustado para depois expandir”, afirma João Victor Cachola, fundador e CEO da empresa, que criará a possibilidade de incluir carros de pessoas jurídicas. 

Em um ano de operação, a plataforma possui 10.000 usuários, mais de 100 carros nas duas cidades e alguns em São Paulo, que está em fase de pré-cadastro.

O proprietário estabelece o valor, que pode ser uma diária e a cada 100 km rodados. Por exemplo: um carro de R$ 90 por dia com seguro tem taxa adicional de R$ 9 a cada 100 km. “Se andar 300 km em um dia, então o usuário pagará R$ 117 de aluguel”, explica Cachola. A plataforma ainda cobra 20% de comissão.  

  • 10.000 usuários
  • 100 carros registrados
  • Período mínimo é de uma diária
  • Valor é cobrado por diária e a cada 100 km rodados

Os perfis dos donos dos veículos são, segundo o CEO, pessoas já integradas à tecnologia, sem apego tão forte ao carro e que o enxerga como recurso a ser otimizado.

O que aluga, em geral, acredita não valer a pena ter um carro por tempo integral, por isso, opta pela locação e está acostumada com o mundo digital. 

Vamo Fortaleza é iniciativa pública 

Vamo Fortaleza já realizou 8.146 deslocamentos sem a emissão de poluentes

Desde 2016, a prefeitura de Fortaleza (CE) oferece o primeiro sistema público de carros 100% elétricos do Brasil, chamado Vamo Fortaleza.

Hoje são 15 veículos, sendo 10 Renault Zoe e 5 BYD e6, todos 100% elétricos e com capacidade para cinco ocupantes.

O sistema de carsharing conta com 13 estações (onde é possível retirar e devolver veículos) e quatro vagas (usadas apenas para a devolução). Com quase 5.000 usuários cadastrados, o Vamo Fortaleza já realizou 8.146 deslocamentos sem a emissão de poluentes, gerando economia de 12,5 toneladas de dióxido de carbono (CO2).

  • 13 estações e quatro vagas
  • Desde 2016, 8.146 deslocamentos 
  • Economia de 12,5 toneladas de dióxido de carbono na atmosfera
  • 5.000 usuários cadastrados

Uma empresa patrocinadora banca os custos e outra opera e faz a manutenção. “Após cada utilização dos carros no período de pandemia, equipes da Serttel — empresa responsável por implantar, operar e dar manutenção no sistema — realizam a assepsia dos veículos, higienizando as superfícies e equipamentos”, garante a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos de Fortaleza. 

Depois de se cadastrar no site, o interessado agenda a utilização dos veículos. A tarifas vão de R$ 15 (30 minutos) a R$ 35 por até três horas. Acima disso, até cinco horas, é cobrado R$ 0,30 por minuto adicional, e a partir de cinco horas são R$ 71 mais R$ 0,50 por minuto adicional. O link é www.vamofortaleza.com

  • Até 30 minutos: R$ 15
  • Até 1 hora: R$ 20
  • Até 2 horas: R$ 30
  • Até 3 horas: R$ 35
  • De 3 a 5 horas: R$ 35 + R$ 0,30 por minuto adicional
  • Acima de 5 horas: R$ 71 mais R$ 0,50 por minuto adicional