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Minha primeira bike: ciclistas contam suas histórias

Depoimentos mostram como a paixão pelo mundo das duas rodas move vidas

5 minutos, 45 segundos de leitura

03/06/2022

Por: Redação Mobilidade

minha primeira bike
A bicicleta de Thaís Viyuela, responsável pelo departamento de Mobilidade Urbana da Specialized, presente de Natal em 1997. Foto: Arquivo Pessoal

Você se lembra de quando ganhou sua primeira bike? Além de ser um presente muito desejado em aniversários e no Natal, a bicicleta também é um modal que move vidas. Neste Dia Mundial da Bicicleta, separamos relatos que provam que é possível transportar muitas histórias sobre duas rodas.

No Brasil, 4 milhões de bikes são produzidas por ano e algumas delas criaram uma paixão sem fim. Conheça algumas das histórias:

Thaís Viyuela, responsável pelo departamento de Mobilidade Urbana da Specialized Brasil

“Era Natal de 1997 e a família havia organizado uma caça ao tesouro com todas as crianças. Quando finalmente chegamos ao quintal e eu vi o amontoado de presentes, percebi que embaixo das caixas embrulhadas havia uma bicicleta. Ela era roxa, tal qual eu sonhava há meses – numa época em que não existiam compras on-line, minha mãe passou semanas em busca da tal bike. Me aproximei do presente e comecei a chorar. Fui em direção aos meus pais, que fotografavam a cena, apontando, marejada, o que seria a minha maior ferramenta de emancipação física e emocional na vida adulta. 

Nos últimos anos, venho realizando cicloviagens de baixo orçamento com amigas, tendo percorrido o litoral uruguaio, o litoral nordestino e o litoral paulista e paranaense. Essas cicloviagens me mostraram a importância da conexão humana, dos limites do corpo, da coragem que tenho e das histórias que a minha capacidade de me abrir e me colocar vulnerável me proporcionaram.

Hoje sinto que a bicicleta vive a era de ouro tanto no ambiente urbano, quanto no cicloturismo e no ciclismo de montanha e de estrada. E, para mim, o mais delicioso disso é justamente ver em mais gente que vive a bicicleta das mais diversas formas o mesmo o brilho no olhar da Thais de 5 anos que, encantada, percebeu que poderia conhecer o mundo com aquela bicicletinha.”

Willian Cruz, fundador do Vá de Bike

Ao todo, são mais de 20 anos pedalando. Foto: Daniele Paixão Shimano / Divulgação.

“Comecei a pedalar tão cedo que não lembro o momento. Aprendi sozinho, não podia esperar os adultos. Tiraram uma das rodinhas da Berlineta e logo eu estava sem as duas, pedalando na rua onde morava nos anos 70.

A bike era dobrável, mas nunca a dobrei. A promessa era conhecer o mítico Parque Ibirapuera, do outro lado da cidade. Mas isso nunca aconteceu, porque meu pai não queria sujar o carro com a bike. Fui conhecê-lo depois de adulto, pedalando pra todo canto da cidade.

Saíamos em grupos de crianças para pedalar numa pista de terra, comum nos anos 80, época das BMXs. Com 18 passei a dirigir, sem tempo para pedalar. Mas isso só durou 10 anos, pois logo passei a fazer quase tudo de bike.

Nesses 20 anos com a bike na minha vida, fiz muita coisa: trilhas, estradas, pedalei pelo Brasil e o mundo e até ajudei numa mudança! Mas um dos momentos mais especiais foi meu casamento, em 2009. Eu e Priscila nos encontramos na Praça do Ciclista, numa Av. Paulista ainda sem ciclovia. Ela de noiva, eu de noivo e ambos de bicicleta, assim como os 50 convidados. Pedalamos em comboio até o bairro da Saúde para oficializar a união, com direito a chuva de arroz e festa em seguida.

A bicicleta mudou minha vida para melhor. Me trouxe liberdade, saúde, autoconhecimento, amigos e felicidade.”

Nestor Freire, escritor, palestrante e ciclista idealizador do Projeto Giraventura

Bike é estilo de vida. Foto: Arquivo Pessoal.

“Meu avô vivia em Itapecerica da Serra, em um rancho, onde meus pais costumavam me levar para passar alguns finais de semana. Tinha por volta de 6 anos quando encantado pelas estradas de terra que cortavam a região, comecei a pedalar em uma bicicleta que ganhara de meus pais.

Encantado pelo estilo de vida que meu avô levava (costumava caçar com índios e acampar), a experiência de ir de um ponto a outro pedalando foi se tornando fascinante.

Adquiri o costume de pegar velhos estojos escolares e os amarrava com barbante ao quadro da bicicleta. Neles, carregava fatias de bolo caseiro feitos por minha avó e um pequeno trocado para em algum momento ir à padaria tomar um refrigerante.

O tempo foi passando e minha paixão por esses deslocamentos em bicicleta aumentando. A cada experiência dessas, fui me propondo novos trajetos, cada vez mais desafiadores. Ora pedalava para a mata, ora subia morros íngremes. Era incrível!

Hoje em dia, não tenho dúvidas de que nossa essência vive na época de quando éramos crianças.

Minha vida mudou muito nesse espaço de 50 anos desde que comecei a dar as primeiras pedaladas, mas o que não mudou foi a interesse pela bicicleta como aprendizado.

Se hoje as pessoas me aplaudem por estar vivendo uma experiência surreal na Islândia, elas só veem a ponta do iceberg. O que está por baixo disso não é o somente o esforço, paciência e dedicação para eu chegar até aqui.

Se o essencial é invisível aos olhos, como diria o principezinho de Saint-Exupéry, meu invisível é esse, a conexão da minh’alma com a bicicleta. Assim me sinto feliz fazendo como nos velhos tempos: sob um selim e pedalando por aí.”

Vivi Mendonça, fundadora do Vou de Bike e Salto Alto

Hora de pedalar é sempre com estilo. Foto: Arquivo Pessoal.

“Sou professora de geografia da rede estadual de ensino, nasci em Lunardelli, no Paraná. Aos 10 anos, insisti para meu pai José Carlos comprar a Monark verde escura com rodinhas que o vizinho estava vendendo porque ia se mudar.

Não queria mais ter que pedir para dar uma voltinha nas bicicletas dos amiguinhos. Insisti tanto que consegui, depois de prometer que a dividiria com minha irmã Elaine, três anos mais nova. Duas molecas, viviam soltas pelas ruas, pelos rios, subindo em árvores… Com a ajuda do pai, logo as rodinhas se foram. Eu ainda consigo ouvir os gritos:

 – Segura no freio, Vivi!

 – Cuidado com a descida!

Aos 15 anos, pedi para trocar de bike. Fiz questão de uma Caloi Ceci cor de rosa com cestinha. A bike romântica que toda menina sonha.

Com estas minhas referências, trago hoje essa vontade de explorar a natureza de bicicleta e também adotar a bike como meio de transporte, sem esquecer a cestinha com flores, da bike dos 15 anos.

Desde então levo a minha vida em cima da bike. Não tenho carro, não aprendi a dirigir. Vou a todos os lugares e tenho uma relação gostosa com a cidade, conheço bem os caminhos, os cantinhos, vejo as árvores e a flores, tenho um contato mais próximo com as pessoas.”

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