Mobilidade para quê?

Desafios ao desenvolvimento da eletromobilidade no Brasil

Políticas públicas de incentivo aos carros elétricos seriam fundamentais para acelerar mudanças

3 minutos, 10 segundos de leitura

14/07/2021

Desafios ao desenvolvimento da eletromobilidade no Brasil
Foto: Getty Images

Enquanto, em muitos países, a eletromobilidade avança, no Brasil, ela segue parada. Montadoras, entidades, universidades e especialistas vêm discutindo os desafios ao desenvolvimento dos veículos elétricos no País. E há um consenso: falta uma política pública capaz de modificar o cenário atual.

“Só uma política pública de incentivos pode mudar a elitização do carro elétrico no Brasil”, diz Police Neto, ex-vereador de São Paulo. Segundo ele, ela deve partir do governo federal, mas incluindo um acordo com Estados e municípios, propondo vantagens ao consumidor que optar por um veículo elétrico e, também, eletrificando a sua própria frota.

Para Neto, caberia ao governo federal definir regras com prazos e volumes de veículos das frotas públicas para serem eletrificados. Isso ajudaria a dar mais escala de produção às marcas. A medida seria favorável às frotas, pois o carro elétrico dura mais tempo e exige menos manutenção.

Carro elétrico mais barato, na Europa

A proposta é compartilhada por outros atores do setor. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) já afirmou que faltam incentivos para que as montadoras produzam elétricos no País. Segundo Adalberto Maluf, seu presidente, “existe a projeção de que, em 2026, na Europa, o carro elétrico seja mais barato do que o veículo a combustão”. E isso se deve às políticas públicas implementadas pelos países europeus – ou o elétrico também seria muito caro lá.

Como ocorreu nos anos 90 com o carro popular, que mudou os rumos da indústria automotiva brasileira, algo desse tipo poderia ser feito com o veículo elétrico, como incluir nessa política, por exemplo, a redução da taxa de importação, incentivando, em contrapartida, a transferência de tecnologia para a indústria nacional – o que geraria investimentos, empregos e ajudaria a baixar o preço dos elétricos.

“Não tenho dúvida de que, em algum momento, o Brasil vai alterar a estratégia do carro elétrico, porque o mundo vai mudar. A diferença é que mudar, agora, permitiria colocar o País como protagonista do mercado, o que poderia criar oportunidades de negócios”, avalia Neto. De fato, em 2020, a Europa divulgou medidas radicais para acabar com o motor de combustão interna.

América do Sul e África atrasadas

No Reino Unido, por exemplo, a venda de carros a gasolina e diesel será proibida a partir de 2030. Em junho, a Agência Europeia do Meio Ambiente divulgou relatório revelando que, hoje, um em cada nove carros novos vendidos no continente já é elétrico ou híbrido.

A Volkswagen informou que, até 2035, todos os seus carros vendidos na Europa serão elétricos. Klaus Zellmer, diretor mundial de vendas, disse, porém, que, “na América do Sul e na África, vai demorar bem mais, porque ainda faltam as condições políticas e de infraestrutura”.

Para transformar nosso cenário, seria preciso um conjunto de medidas para “convencer” o consumidor a investir no elétrico. De acordo com Neto, alguns benefícios poderiam ser, além da redução ou eliminação da taxa de importação, isenção do IPVA, dispensa da cobrança de estacionamento – como a Zona Azul paulistana – e não pagamento de pedágio. “Importante, ainda, é garantir a infraestrutura de carregamento”, acrescenta ele.

Esses, entre outros desafios, serão tema de abertura do Congresso da Mobilidade e Veículos Elétricos (C-MOVE), que será realizado nos dias 23 e 24 de setembro. O encontro acontecerá no auditório do Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. O C-MOVE ocorre dentro do Veículo Elétrico Latino-Americano.

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