Mobilidade para quê?

Integração de pagamentos como o próximo grande passo da MaaS

O sistema traz redução de custos com pessoal e com infraestrutura, já que o validador passa ser somente um leitor de QR Code

3 minutos, 27 segundos de leitura

12/01/2021

integração de pagamentos
Foto: Getty Images

Há algumas semanas, enquanto assistia a uma palestra do nosso VP de produtos, algo que ele disse ficou na minha cabeça: ‘Quando comecei a trabalhar no Moovit, os verbos que eu mais ouvia eram planejar e viajar. Neste último ano, tenho cada vez mais ouvido o verbo pagar entre eles’.

Entre as diversas facilidades que a Mobilidade como um Serviço (MaaS, na sigla em inglês) oferece, a integração de pagamentos via smartphone é uma tendência crescente. Do ponto de vista do passageiro, é muito prático já adquirir suas passagens assim que planejar uma rota. Além de toda essa simplicidade para os clientes, a integração pavimenta o caminho para uma série de benefícios para quem usa transporte público e para os operadores.

Descontos e gratuidades

Imagine que você vai fazer um trajeto de transporte público que combine duas viagens de ônibus e uma de trem. Você já faz o pagamento, ou valida seu passe, mantendo o acesso a tarifas combinadas, como no Bilhete Único, e garantindo descontos e/ou gratuidades, caso você faça parte de alguma categoria específica, como estudantes e idosos. Um ‘teto’ garante um limite para os seus gastos diários, caso você precise fazer mais viagens além das planejadas inicialmente.

Desde dezembro, isso já é uma realidade em Israel, pois entrou em operação o sistema integrado de pagamentos via smartphone para o transporte público em todo o país, com padronização de processos e de tarifas, e eliminação de canhotos e passes de papel. Serviços sob demanda, individuais e/ou coletivos, e de micromobilidade também poderão ser integrados futuramente. Mais próximo de nós, nos Estados Unidos, o Moovit lançou, há poucas semanas, parceria com 13 operadores de transporte público nos Estados de Kentucky e Ohio. Usando o mesmo aplicativo para planejamento de viagens e pagamento, no que estamos chamando de Plan, Pay & Ride (ou Planeje, Pague e Viaje), moradores de cidades vizinhas podem combinar as rotas sem se preocupar em pagar custos extras. Mais operadores da região já pediram para aderir ao sistema neste ano que se inicia.

Benefício para turistas

O exemplo dos EUA mostra um dos benefícios para operadores do uso de ferramentas de MaaS e da integração de pagamentos. Turistas e outros visitantes utilizam o mesmo aplicativo com o qual já estão habituados, sem precisar fazer novos cadastros ou downloads, o que atrai mais clientes. Outro benefício importante é a redução de custos com pessoal e com infraestrutura, já que o validador passa a ser somente um leitor de QR Code ou similar e não são mais necessários tantos terminais para venda e recarga, já que a compra é feita pelo celular.

Há outro diferencial importante de ser citado em um momento em que escolhemos novas administrações municipais: o sistema amplia os mecanismos de controle sobre gastos e viagens, oferecendo mais transparência aos gestores públicos e à população. 

A implementação dessas integrações não está tão acelerada no Brasil e na América Latina, mas as perspectivas são boas. Segundo uma pesquisa que fizemos recentemente no continente, já há demandas em algumas grandes cidades – metade dos usuários do Moovit em Lima, no Peru, gostaria de pagar com o celular. Vimos, recentemente, muito por causa da pandemia da covid-19, que mais gente passou a utilizar compras e outros serviços digitais – a popularização dos pagamentos por aproximação para reduzir riscos de contágio é uma evidência.

Os sistemas de bilhetagem em cartões, comuns nos principais redes de transporte público no Brasil, são um excelente atalho para a integração de pagamentos por smartphone. Suas APIs já podem ser integradas em apps como o Moovit, dando ao usuário maior controle sobre os montantes disponíveis e como inserir mais créditos. Para descartar os cartões de plástico – o que é mais seguro e sustentável –, basta dar um passo a mais. É para lá que a MaaS está se direcionando agora.”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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