Mobilidade para quê?

Passos simples para uma mobilidade mais inteligente

“Em 2022, algumas cidades europeias e asiáticas já vão implementar serviços de robotáxis.” Pedro Palhares é gerente geral do Moovit no Brasil

3 minutos, 41 segundos de leitura

24/11/2021

mobilidade inteligente
O deslocamento urbano irá se transformar nos próximo anos. Foto: Divulgação Getty Images

Adotar uma mobilidade inteligente pode parecer um processo complexo. Há quem pense que são necessários muitos recursos e alto investimento para transformar uma cidade em uma smart city.

De fato, alterações estruturais são custosas e demoradas. Mas alguns passos iniciais simples podem ser dados, usando o que já está disponível hoje, que fazem uma grande diferença.

Reuni neste texto alguns que vi acontecer nos meus anos trabalhando com dados e mobilidade urbana, e que podem ajudar muito as cidades, os operadores e, principalmente, as pessoas.

Dados abertos

Este é um dos primeiros e mais importantes passos. Uma política de dados abertos no transporte público possibilita que diversos atores da sociedade colaborem para a mobilidade. É também uma maneira de ser mais transparente e respeitoso com os munícipes que usam o transporte público. Tanto que, em alguns lugares, existe a obrigação legal de que os dados sejam abertos.

Acredito que isso não é necessário para gestores públicos e operadores com uma visão completa da mobilidade. Um dos preceitos da Mobilidade com um Serviço (MaaS) é a integração e a capacidade de ser multimodal, o que acaba levando mais passageiros para o transporte público. O transporte de massa será sempre fundamental, em especial nas grandes metrópoles. 

Muitas cidades e operadores possuem os dados do transporte público, sistematizados de alguma forma só em seus ambientes, o que restringe seu uso para o bem de toda a coletividade. Dados abertos são fundamentais para oferecer aos passageiros informações que aprimorem sua experiência na mobilidade urbana, como a localização do ônibus em tempo real e informações sobre acessibilidade, climatização, índice de lotação etc. 

Parcerias com a iniciativa privada

As cidades, em especial as que enfrentam muitos desafios, são um convite às empresas que buscam inovar. Com prioridades diferentes da administração pública, a iniciativa privada consegue criar a inovação em um ritmo mais acelerado, fazer testes, aprimorar os processos e, principalmente, manter o que foi desenvolvido operando. 

Administradores e operadores que compreendem isso trabalham em parcerias com empresas que fazem parte do ecossistema da mobilidade. Por exemplo, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e o COR-Rio já promoveram hackathons e chamadas de inovação, a SPTrans tem a iniciativa do MobiLab, seu Laboratório de Mobilidade Urbana, entre outros. São formas de incentivar a inovação sem gerar custos ao Poder Público – em alguns casos, economizando recursos – e deixar a cidade mais conectada para os moradores e turistas, fazendo-se valer da expertise de seus parceiros. 

Foco em acessibilidade

Mobilidade é um direito de todos, e para ser para todos tem que levar em conta a acessibilidade em veículos, pontos, terminais e rotas. Também é uma questão de inclusão social: a maior parte das pessoas com deficiência não pode sempre contratar serviços específicos de transporte, ou mesmo requisitar carros por aplicativo. 

Uma cidade inteligente deixa essas informações claras para todos que vão fazer um trajeto, em especial as pessoas com mobilidade reduzida e a população idosa. É uma maneira de auxiliar na preparação e na escolha no trajeto e oferecer a oportunidade de acesso a educação, trabalho, cultura e lazer para essa parcela da população. 

Colaboração e integração

Listei por último, mas talvez este seja o passo inicial: os gestores públicos e os operadores devem se preparar para colaborar com outros atores e integrar mais serviços. Diferentes formas de mobilidade são vistas por alguns ainda como competidores, e não como serviços complementares. 

Além disso, precisam se focar no que é a sua competência para as agências, ou seja, planejar, regular e fiscalizar os serviços de mobilidade urbana e para os operadores: operar o que está em contrato, prestando um serviço de qualidade a população.

A mobilidade urbana está mudando rápido – e vai mudar mais nos próximos anos do que no último século. Algumas cidades europeias e asiáticas já vão implementar serviços de robotáxis, com carros autônomos buscando passageiros, em 2022. É um processo inevitável, e é melhor fazer parte dele. Construir uma cidade inteligente é algo que dependerá do trabalho conjunto entre poder público, empresas e de toda a sociedade.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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