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Mobilidade para quê?

Segurança: a tecnologia como aliada no direito de ir e vir

Aplicativos se consolidam como alternativa de mobilidade para o público feminino

4 minutos, 40 segundos de leitura

20/04/2022

Por: Bia Figueiredo*

Recursos como câmeras de segurança são disponibilizados para motoristas e passageiras da 99. Foto: Divulgação 99

Famosas pela versatilidade, as mulheres estão, sempre, com muita coisa na cabeça: reuniões do dia, compromissos pessoais, compra no mercado, horários de levar e buscar os filhos na escola e por aí vai. Ao saírem de casa, isso também acontece e a forma de chegar a seu destino, principalmente em relação à segurança desse deslocamento, também é uma grande preocupação que se manifesta pelo medo de assédio, roubos, entre outras situações negativas.

Felizmente, a tecnologia vem se desenvolvendo para criar formas de auxiliar o público feminino em seu dia a dia. Focando nos aplicativos de transporte e na complementaridade das viagens feitas por outros modais –  como por transporte público coletivo, de bicicleta e até a pé –, esse recurso tem mostrado uma opção muito importante e vem evoluindo para proporcionar cada vez mais segurança às mulheres, sejam elas motoristas, sejam passageiras.

Especialização

A Lady Driver é a única empresa no mercado 100% focada no transporte e na segurança das mulheres, tanto das passageiras como das motoristas. Considerado o primeiro app de mobilidade feminino no mundo, “made in Brazil”, ele conta com mais de 70 mil motoristas cadastradas e 2 milhões de passageiras. Além de trabalhar somente com motoristas mulheres, a Lady Driver desenvolveu uma tecnologia que verifica todas as passageiras que entram na plataforma para oferecer mais segurança. O resultado disso é um aplicativo com índice zero de violência e assédio.

A empresa conta com três serviços para esse público: o Lady Driver, que consiste em uma motorista atender usuárias mulheres; o Lady Kiddos, em que as profissionais atendem crianças; e, por fim, o Lady Care, específico para pessoas a partir dos 65 anos de idade. Operando no modelo tipo franquia, o app reforçou sua expansão, a partir de 2021, e já está em 90 cidades no País. Há a opção, também, de agendamento, possibilitando viajar todos os dias com a mesma motorista. De acordo com Gabryella Correa, CEO da empresa, a mobilidade urbana não é pensada para a mulher, visto que 97% do público feminino já sofreu assédio no transporte público e privado. Ainda segundo ela, é por esse motivo que a Lady Driver tem crescido tanto, pois é como um serviço de utilidade pública.

Mercado em transformação

Outros aplicativos de mobilidade, como 99 e Uber, também oferecem corridas feitas por motoristas para usuárias mulheres. Batizado de 99 Mulher e lançado no ano passado, o recurso faz parte do Programa Mulheres na Direção, que incentiva mais profissionais do sexo feminino a esse trabalho. Durante a corrida, as passageiras contam com diversos recursos, que vão além do compartilhamento de rota, como botão para ligação direta à polícia, câmeras de segurança e gravação de áudio, conectadas à Central de Segurança da 99, e monitoramento de corrida via GPS.

Um dos recursos mais recentes nesse sentido, que funciona na capital paulista, mas ainda está em fase de implementação em outras cidades do Brasil, é o Patrulha 99, serviço que envia equipes especializadas que, em motocicletas ou carros, prestam apoio presencial a motoristas parceiros e passageiros, em caso de emergência de segurança durante viagens pela plataforma.

Em 2019, a Uber lançou o programa Elas na Direção. No ano seguinte, passou a expandir a iniciativa para todo o Brasil. Ele foi criado, em parceria com a Rede Mulher Empreendedora, com o objetivo de aumentar e fortalecer a comunidade de motoristas parceiras do app no Brasil, contemplando tanto mulheres que já dirigem usando o aplicativo como aquelas que ainda não se cadastraram.

Para as usuárias, é possível reportar assédio em uma corrida diretamente pelo aplicativo. Já a opção de só viajar com outras mulheres pode ser habilitada e desativada a qualquer momento, sendo possível escolher horários específicos, como de noite ou madrugada, de acordo com o que a usuária considerar melhor.

No mercado de aplicativos, de maneira geral, a participação de motoristas mulheres ainda é um gargalo. Iniciativas como Lady Driver, Uber e 99 são fundamentais, pois as incentivam a ingressar nessa área. Eu, como piloto e fã de carros, espero que mais e mais mulheres consigam sua independência financeira por meio de um automóvel, bem como ter cada vez mais segurança para poder ir e vir.

Bia Figueiredo é a primeira brasileira a correr em uma categoria top do automobilismo mundial, a Fórmula Indy. Disputou, também, a Stock Car de 2014 a 2019.  Foto: J.R. Duran

Inovação contra o assédio

Um outro recurso que atua com foco na segurança das mulheres é a Nina. Trata-se de uma tecnologia que pode ser incorporada a diversos aplicativos para rastrear denúncias de assédio e violência, já utilizado no transporte público de Fortaleza (CE). Lá, a tecnologia tem integração com as câmeras dos ônibus da capital. “As mulheres denunciam pelo app e, com isso, as empresas de ônibus são notificadas a coletar e salvar as imagens da agressão, que são enviadas para a Polícia Civil em 72 horas. E a vítima recebe a orientação de onde deve buscar acolhimento e registrar a queixa”, explica Simony Cesar, fundadora e CEO da empresa e filha de uma ex-cobradora de ônibus da cidade.

    2.334 denúncias foram registradas*
1 em cada 10 acabou virando inquérito policial.

*Dados NINA contabilizados entre 2019 e meados de 2021

Confira outros conteúdos no canal Mulheres da Mobilidade.

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