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Coletivo Baque Atitude leva maracatu a periferias de São Paulo

O objetivo do projeto é oferecer novas perspectivas para a juventude

2 minutos, 22 segundos de leitura

23/12/2021

Por: Ariel Freitas, Favela em Pauta

Cotidiano da juventude em periferia da zona sul incorpora o maracatu. Na imagem, o grupo se apresenta na Av. Paulista. Foto: divulgação/Baque Atitude

O maracatu atravessou fronteiras e encontrou morada na periferia da zona sul de São Paulo. Manifestação folclórica e cultural pernambucana, o ritmo de percussão e dança faz parte da vida de jovens, em sua maioria negros, dos jardins Ibirapuera e Luizele. Essa aproximação começou há 12 anos, por meio do projeto Baque Atitude — Maracatu de Baque Virado.

Criado por Shirlayne Kelly Maria da Silva, Marcio Santos e Mailson Santos, o grupo tem atualmente 35 batuqueiros e 25 iniciantes nas oficinas. Shirlayne é batuqueira regente. Segundo ela, o Baque Atitude mostra para a juventude que a arte salva vidas. “A proposta é se tornar o maior grupo de maracatu jovem da quebrada. A gente é quase isso”, diz.

Assim como outras expressões culturais, o maracatu perpetua suas raízes ao incentivar a participação das novas gerações. O Baque Atitude busca manter a tradição. O sonho dos integrantes é ir para o carnaval de Recife, junto à Nação Leão da Campina, grupo que é padrinho do Baque Atitude. Para Shirlayne, seria um momento muito importante de resistência e construção de narrativas próprias. “O nosso sonho é levar os batuqueiros para conhecer de fato de onde é o maracatu, como é feito lá e que lá é garantia de direito, patrimônio tombado”, afirma.

O projeto, além de promover uma festa mensal em que outros grupos participam com apresentações. E pretende ampliar o alcance das oficinas: uma das ideias é entrar em escolas e organizações sociais, fortalecendo a cultura popular como ferramenta de aprendizado para crianças, jovens e adolescentes dos territórios.

Tipos de maracatu

O ritmo pode ser classificado em dois tipos: o maracatu nação (baque virado) e o maracatu rural (baque solto). Ambos têm, além da música dos instrumentos de percussão, como gonguê e zabumba, cortejos ricos e cheios de significados. Em dezembro de 2014, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu os baques virado e solto como patrimônios culturais de natureza imaterial.

MARACATU DE BAQUE VIRADO OU MARACATU NAÇÃO
Os grupos de maracatu de baque virado tiveram origem nas coroações de rainhas e reis negros denominados Reis do Congo. Atualmente, eles integram os festejos carnavalescos com um cortejo real negro ricamente trajado em sedas, veludos, bordados e pedrarias, em referência à corte europeia. A música é composta por batuques da tradição africana fundamentados no Candomblé.

MARACATU DE BAQUE SOLTO, MARACATU RURAL OU MARACATU DE ORQUESTRA
Referência pernambucana, o baque solto exibe caboclos de lança. Os integrantes são, em maioria, trabalhadores rurais que produzem as próprias fantasias, guiadas, relhos e chapéus. Tem estilo de vestimenta e musicalidade próprias. No baque virado os tambores marcam a harmonia, por exemplo; no baque solto, os instrumentos de sopro dão a essência.

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