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90 Razões para voltar ao Sul

Stock Car desembarca na terra onde nasceu

3 minutos, 46 segundos de leitura

29/06/2022

Por: Alan Magalhães

O gaúcho Tuca Antoniazzi correrá na frente de sua torcida, no Velopark. Foto: Duda Bairros

O Autódromo José Carlos Pace, Interlagos, na capital paulista, e o de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, certamente são os mais lembrados, em nível nacional e internacional, principalmente por terem sediado vários grandes prêmios de Fórmula 1 e até de Fórmula Indy, como aconteceu na extinta pista carioca. Porém, não é em nenhum desses Estados em que se encontra o contingente mais apaixonado por esportes a motor.

A alcunha, sem dúvida, cabe melhor ao Rio Grande do Sul, que, hoje, é o Estado com o maior número de autódromos asfaltados do País: quatro. São eles Guaporé e Santa Cruz do Sul, nas cidades de mesmo nome, Velopark, em Nova Santa Rita, e Tarumã, localizado em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre.

Foi em Tarumã que tudo começou para a Stock Car, em 22 de abril de 1979, quando dez modelos Chevrolet Opala, praticamente originais, disputaram a prova inaugural da categoria, vencida pelo paulista Affonso Giaffone Junior. E pouco se fala da segunda corrida na história da categoria, disputada, uma semana depois, em Guaporé, município distante 200 quilômetros da capital, Porto Alegre.

Tarumã, um autódromo particular, de propriedade do Automóvel Clube do Rio Grande do Sul, é chamado de “templo” pela fanática torcida gaúcha, que costuma acampar e fazer muita fumaça com a quantidade de churrasqueiras montadas nas arquibancadas naturais. Sem apoio governamental, vai resistindo ao tempo, muito por causa das contribuições dos torcedores e abnegados. Guaporé, coincidentemente, também é particular, assim como o Velopark, de propriedade de um ramo da siderúrgica Gerdau.

O Rio Grande do Sul vê o automobilismo com outros olhos, diferentes dos internacionais, que enxergam Interlagos e vinham Jacarepaguá. O pessoal do Sul é mais parecido com os argentinos, outro povo fanático pela velocidade, pois compartilham as mesmas origens, as corridas de carreteras, disputadas em estradas abertas, no início do século passado.

Hora da RS90

Até hoje foram disputadas 89 corridas de Stock Car no Rio Grande do Sul, de acordo com o levantamento feito pelo jornalista Milton Alves, que fez uma minuciosa pesquisa, que resultou no Guia BRB da Stock Car, que conta, em números, imagens e textos, a história de todas as provas da Stock Car, até 2021.

Tarumã é a pista que mais recebeu a categoria: 35 vezes, contra 23 de Santa Cruz do Sul. O Velopark sediou 18 etapas, e Guaporé, 13. Em alusão à 90a corrida de Stock Car disputada em terras gaúchas, o evento ganhou a alcunha de RS90, em homenam ao Estado que respira automobilismo.

E o pessoal pode começar a programar o churrasco e o acampamento, pois o que não faltará é muita emoção e velocidade sobre os 2.278 metros do traçado do Velopark. O paranaense Gabriel Casagrande, que nunca venceu no Velopark, chega à etapa na ponta da tabela, com 128 pontos, 1 apenas de vantagem em relação ao paulista Daniel Serra, que, por sua vez, é o maior vencedor do Velopark, com cinco vitórias. Cacá Bueno, 26º na tabela, soma três triunfos na pista gaúcha, contra dois de Felipe Fraga, que está fora da Stock Car, e Ricardo Maurício, 7º colocado na classificação, com 74 pontos. Com uma vitória, figuram Rubens Barrichello (3º), Thiago Camilo (6º), Diego Nunes (15º), Max Wilson, que não está competindo neste ano, Galid Osman (20º) e Átila Abreu, 14º na tabela de pontuação.

E, se os torcedores de lá têm mesmo um olhar diferenciado, sem dúvida, ele estará fixado nos dois representantes do Estado nessa temporada, César Ramos, com seu Toyota Corolla, da Equipe Ipiranga, e Tuca Antoniazzi, com o Cruze, da Web.continental.

A etapa do Velopark da Stock Car Pro Series terá transmissão, ao vivo, pelo site do Estadão.

O goiano Alencar Jr. “domando” seu Opala Stock Car, em 1979. Foto: Arquivo Pessoal

Uma história e tanto

Desde a lendária data de 22 de abril de 1979, foram 89 corridas da Stock Car disputadas em solo gaúcho. A evolução da categoria foi assombrosa. Dos carros de rua, dos quais se retiravam os bancos, tapetes e revestimentos apenas, chegamos, hoje, a bólidos de alta tecnologia, capazes de alcançar 300 km/h – 296,4 km/h para sermos exatos –, conseguidos pelo GM Cruze da Equipe Lubrax|Podium, em teste na pista infinita de 4.300 metros, no Campo de Provas de Cruz Alta, da Chevrolet. Dos pioneiros Opala com motor de 6 cilindros em linha, restaram somente as saudosas e belas imagens da era romântica da Stock Car.

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