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Mobilidade para quê?

Scooters levam motoristas a deixar o carro na garagem

Ágeis no trânsito, fáceis de pilotar e econômicas, estas motos têm atraído um novo público ao universo das duas rodas

Arthur Caldeira

30/10/2020 - 8 minutos, 47 segundos


scooters fazem sucesso entre as mulheres
Mulheres como a advogada Eliane Ribeiro representaram 39,3% dos consumidores de scooters em 2019, segundo pesquisa feita pela Honda. Foto: Marco Ankosqui

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Advogada de formação, Eliane Ribeiro já é habilitada na categoria A, para motocicletas, há 16 anos. Porém, desde sua primeira moto, sempre optou pelas scooters. “Ela é automática, fácil de pilotar e muito econômica”, justifica. Atualmente, já está em sua oitava scooter, uma Yamaha NMax 160. 

A economia e a agilidade da scooter fizeram com que Ribeiro deixasse seu carro cada vez mais tempo parado na garagem. Segundo ela, gastava cerca de R$ 400 por mês para ir trabalhar com seu automóvel, calculando gasolina e estacionamento – de scooter, o gasto caiu para cerca de R$ 100 mensais. Até que decidiu vendê-lo. 

“Agora, só tem o carro dos meus pais na garagem. Só o uso para sair ou viajar com eles”, conta a supervisora jurídica, 41 anos, que mora na Zona Norte da capital paulista, e, mesmo durante a pandemia, precisava ir à empresa para cuidar da papelada.

Mulheres como Eliane Ribeiro representaram 39,3% dos consumidores de scooters em 2019, revela uma pesquisa feita pela Honda com os compradores de modelos como Elite 125, PCX 150 e scooters da linha SH, de 150 cc e 300 cc. Só como comparação, no caso de motocicletas, como a Honda CG 160, o público feminino responde por apenas 18%.

Público novo

“Quando se fala em scooter, as palavras-chave são praticidade e facilidade”, diz Alexandre Cury, diretor comercial da Honda Motos, para explicar as diferenças entre as motocicletas convencionais e esse tipo de moto, que tem atraído cada vez mais o interesse dos brasileiros.

Diferentemente das motos, que têm embreagem e câmbio, nas scooters, a transmissão é automática, do tipo CVT, semelhante a muitos automóveis, como o Honda Fit. “Não é preciso acionar embreagem ou passar marchas”, destaca Cury.

Essa facilidade tem fisgado um novo público para as duas rodas. Além das mulheres, quase 40% daqueles que compraram scooters Honda em 2019 optaram por esse veículo como sua primeira “moto”. 

Praticidade e agilidade também são razões para andar de scooter

Thiago Teixeira, auditor: “A scooter é tão ágil, que passei a transportar minha esposa ao trabalho dela, antes de ir para o escritório”. Foto: acervo pessoal

A facilidade de pilotagem, entretanto, não é suficiente para explicar o grande sucesso das scooters como opção de mobilidade, tendência que vem se acentuando nos últimos anos. A venda desse tipo de moto passou de 42.540 unidades, em 2015, para 91.106 scooters, registradas em 2019: crescimento de 114 % em quatro anos.

Muitos desses consumidores compram a scooter como um segundo veículo, ao menos inicialmente. No ano passado, entre as mais de 56 mil scooters vendidos pela Honda no Brasil, 87,5% delas foram adquiridas por quem já tinha um carro na garagem. “É um perfil muito diferente de quem compra motos tradicionais”, avalia Alexandre Cury, diretor comercial da divisão de motos da Honda no Brasil.

Esse público tem adquirido uma scooter para usar na cidade e driblar o trânsito, como é o caso do auditor Thiago Teixeira, 33 anos. Cansado de perder tempo no trânsito entre sua casa e o trabalho, Teixeira pilota scooters há oito anos. “Sempre gostei de motos e, desde muito jovem, já tive diversas, inclusive de alta cilindrada, mas escolhi as scooters pela facilidade e praticidade no dia a dia”, afirma ele. 

Desde março, Teixeira pilota a maxiscooter Honda X-ADV, de 750 cc, para ir de sua casa, no bairro do Sacomã, na Zona Sul, até o Butantã, na região Oeste da capital paulista, onde trabalha. “Já tive scooters de menor cilindrada, como a Honda PCX 150 e a Kymco Downtown 300i, mas, como a profissão de auditor exige algumas viagens, eu precisava de mais desempenho e a X-ADV me atendeu bem”, explica ele, que já foi para cidades do interior de São Paulo com sua scooter. 

A escolha da X-ADV, vendida atualmente a R$ 70 mil, também foi motivada pela “carona” que Teixeira passou a levar todos os dias. “A scooter é tão ágil, que passei a transportar minha esposa ao trabalho dela, antes de ir para o meu escritório. Com dois, as scooters menores ‘sofrem’ um pouco no asfalto ruim. Esse foi outro motivo para escolher a X-ADV”, revela.

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Projeto inovador da Honda, que chegou ao País em 2018, a X-ADV mescla a praticidade das scooters com a versatilidade das motos de uso misto. Com suspensões de longo curso e mais robustas para encarar as ruas paulistanas, a X-ADV também tem câmbio automático, mas com dupla embreagem, como nos carros esportivos, e oferece muita tecnologia, como controle de tração e freios ABS de série, nas duas rodas de 17 polegadas. “Levo minhas coisas no grande espaço abaixo do banco – praticidade que não existe nas motos”, afirma Thiago Teixeira. Com o bom desempenho da scooter X-ADV também na estrada, ele diz que dificilmente voltará para as motos convencionais.

Nessa rotina do jovem casal, o SUV Hyundai Creta acaba ficando “parado” na garagem do prédio a maior parte do tempo, sendo usado nos fins de semana para viagens ou compras no mercado. “Estamos até avaliando a real necessidade de possuírmos um carro, já que ainda não temos filhos. Ficamos sem por um tempo, e o aluguel de carros, oferecido como benefício do cartão de crédito, supriu nossas necessidades”, conta ele. 

Sem sujeira

Fabio Villarim Carleial, 48 anos, corretor de seguros e trader, também era motociclista e acabou migrando para as scooters, agora por questão de saúde. Com dores lombares em função de um problema nas vértebras, passou por uma cirurgia há dez anos e sua habilitação traz a observação de que ele só poderia pilotar motos automáticas para evitar o esforço na perna esquerda, usada para trocar as marchas nas motos convencionais. Desde então, viu nas scooters uma opção prática para seus deslocamentos diários. “Em geral, uso a scooter para fazer visitas e resolver os problemas no dia a dia, com agilidade. Só pego carro quando é uma reunião mais formal e preciso ir de terno”, conta Carleial, que tem um Yamaha XMax 250 e uma SUV Volkswagen T-Cross, na garagem.

Embora tenha tido a maxiscooter Yamaha TMax de 530 cc, Carleial afirma que encontrou na XMax 250 a medida certa entre bom desempenho e praticidade para o dia a dia. “A TMax é excelente, até um pouco esportiva; porém, era grande e os espelhos largos atrapalhavam no trânsito. A XMax vai bem na estrada, mas é mais fácil de pilotar e prática para os deslocamentos diários”, explica ele. 

Além do conforto para conduzir sem trocar marchas, Carleial também destaca o fato de que, na scooter, o piloto vai mais protegido. “De scooter, ao passar numa poça d’água, por exemplo, você não se molha e não se suja”, diz o morador do Alto da Boa Vista, bairro nobre situado na Zona Sul de São Paulo.O experiente motociclista também vê mais uma vantagem para quem anda de scooter no trânsito caótico da cidade. “Percebi que o pessoal respeita mais quem está de scooter do que em motos. Até porque, dificilmente, um piloto de scooter é flagrado fazendo ‘loucuras’ no trânsito”, conclui Fabio Carleial.

Segmento de scooters não para de crescer

O mercado de motos tem demonstrado recuperação nos últimos anos, após um longo período de queda nas vendas. Nesse cenário, o segmento de scooters tem merecido destaque. Em 2015, as scooters representavam apenas 3% das motos emplacadas no Brasil. No ano passado, esse tipo de moto correspondeu a 10% do mercado.

Vendas de scooters no atacado em unidades. Fonte: Abraciclo

O maior número de scooters vendidas tem atraído os fabricantes, que passaram a dar mais atenção ao segmento no Brasil. A Yamaha, segunda maior fábrica de motos no País, lançou, no início deste ano, a nova XMax 250, chegando a três modelos de scooters em seu catálogo. 

Em 2015, a Honda, por exemplo, tinha apenas dois modelos em seu line up. Atualmente, oferece cinco opções com diferentes versões e especificações. E esse número deve crescer ainda neste ano. Veja as novidades que vêm por aí.

Honda ADV 150

Com rodas maiores que a PCX e suspensões de curso mais longo, a Honda ADV 150 usa até pneus off-road. Foto: Divulgação Honda

Equipada com o mesmo motor da PCX 150, a Honda ADV 150 tem a proposta de ser uma scooter mais “robusta” para rodar em nossas ruas mal pavimentadas e até estradas de terra. Com rodas maiores que a PCX e suspensões de curso mais longo, a ADV usa até pneus “off-road”. Tem iluminação de LED, para-brisa ajustável, câmbio CVT e freios ABS nas duas rodas. A nova scooter aventureira da Honda deve ser lançada, ainda neste ano, com preço superior à PCX, vendida, hoje, a partir de R$ 13.990, com freios ABS.

Honda Forza 350

Recém-apresentada na Europa, a Honda Forza 350 aposta em motor mais potente, com 28 cv. Foto: Divulgação Honda

Em reação à chegada da Yamaha XMax 250, que traz especificações superiores às scooters de entrada, a Honda vai lançar, em breve, a nova Forza 350 para disputar o segmento das scooters médias. Recém-apresentada na Europa, a Forza 350 também aposta em motor mais potente, com 28 cv, e diversos itens de comodidade e segurança para o condutor, como para-brisa ajustável eletricamente, entrada USB para carregar o smartphone e até um aplicativo para celular. Na parte eletrônica, a Forza 350 oferece freios ABS e controle de tração, a exemplo da XMax 250. O preço deve ser até superior ao modelo da Yamaha, vendido atualmente por R$ 26 mil.

Nova Yamaha NMax 160

A nova Yamaha NMax 160 deve trazer facilidades como luzes de LED e chave de presença Smart Key. Foto: Divulgação Yamaha

Lançada em 2016 no Brasil, a NMax colocou a Yamaha de volta ao segmento de scooters e, atualmente, é o terceiro modelo mais vendido do segmento, perdendo para a Honda PCX 150 e a Elite 125. Exatamente por isso, a marca deve apresentar, em breve, a nova geração da NMax. Além de uma reestilização visual, a nova NMax 160 deve trazer facilidades como luzes de LED e chave de presença Smart Key. O lançamento não deve demorar, pois a nova geração da scooter de 160 cc já foi flagrada nas ruas de São Paulo, recentemente.

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