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Mobilidade para quê?

Segurança do motociclista tem que ser da cabeça aos pés

A lei obriga apenas o uso do capacete, mas também é importante utilizar equipamentos de proteção em outras partes do corpo para circular de moto

4 minutos, 40 segundos de leitura

05/05/2021

Por: Arthur Caldeira

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Motociclista tem 27 vezes mais chances de se ferir ou morrer em acidentes viários do que motoristas de automóvel. É preciso se proteger. Foto: Getty Images

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, o único equipamento de proteção obrigatório para piloto e passageiro de motocicletas é o capacete com viseira ou óculos protetor. Embora a lei, publicada em 1997 e reformada recentemente, determine também ser preciso usar vestuário de proteção, conforme as especificações do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), até hoje o órgão não definiu o vestuário padrão para circular de moto.

Apesar de não estar na lei, é mais que recomendável que os ocupantes da moto utilizem equipamento de proteção em outras partes do corpo, além do capacete na cabeça, é claro. Afinal, segundo estatísticas do Departamento de Segurança no Trânsito dos Estados Unidos, um motociclista tem 27 vezes mais chances de se ferir ou morrer em um acidente viário do que um motorista de automóvel. Portanto, é preciso se proteger.

Claro que, além de obrigatório, o capacete é fundamental para a segurança do motociclista. “O equipamento precisa ser homologado, com selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), estar dentro do prazo de validade e corretamente afivelado ao pescoço”, reforça o instrutor de pilotagem do Centro Educacional do Trânsito Honda em Recife (PE) Gutenberg Santos Silva.

Mas ele se une ao coro de especialistas e estudiosos ao afirmar que a segurança dos motociclistas vai além da cabeça. “Também é importante vestir jaqueta com proteções, luvas, calça de tecido resistente e calçado fechado, de preferência de cano alto”, afirma Gutenberg.

Lesões em membros superiores

Em caso de queda ou acidente com motocicleta, lesões nas extremidades superiores representam parte significativa das lesões sofridas pelos motociclistas. Essa foi a conclusão de um abrangente estudo, publicado em março no jornal oficial da Sociedade Internacional de Cirurgia Ortopédica e de Traumatologia (Sicot).

Ao analisar registros de pacientes internados no chamado Trauma 1, que recebe os casos mais graves, entre 2002 e 2013 em hospitais dos Estados
Unidos e de Israel, o estudo concluiu que 47,5% dos motociclistas acidentados tiveram alguma lesão nas extremidades superiores, ou seja, dos ombros aos dedos das mãos.

Dentre as lesões mais comuns estão a fratura na mão (25,5%) e no antebraço (24,7%). Médicos e cientistas que conduziram a pesquisa
concluíram que, “além das leis obrigatórias de uso de capacete, defendemos o desenvolvimento de equipamentos de segurança com foco específico na prevenção de lesões nas extremidades superiores”.

Mesma opinião é corroborada por Jorge dos Santos Silva, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. “Mãos são partes muito sensíveis do nosso corpo. Fraturas e lesões são de difícil recuperação e podem deixar sequelas no que se refere à sua função”, afirma o médico, que também é diretor clínico do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas na capital paulista. “A principal vantagem da luva é minimizar danos na pele e tecidos da mão”, acrescenta.

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Embora não pilote moto, o traumatologista recomenda o uso de equipamentos de proteção. “Além da luva, jaqueta e calça de tecido resistente e calçados reforçados podem evitar lesões mais graves em
caso de quedas”, conclui.

Com experiência no atendimento a vítimas de trânsito, como motociclistas e ciclistas, Jorge dos Santos Silva faz uma ressalva quanto ao uso de equipamentos de proteção para quem circula por avenidas e ruas das grandes cidades. “Respeitar as leis de trânsito, obedecer aos limites de velocidade e à sinalização é a melhor maneira de se evitar um acidente. O respeito é o melhor equipamento de segurança”, finaliza.

Dicas para se proteger

Capacete

Escolha um capacete homologado pelo Inmetro e que fique justo, mas não apertado, na sua cabeça. Dê preferência aos modelos integrais (fechados) que também protegem o queixo. Ajuste a cinta jugular de forma que o capacete fique firme no pescoço.

Jaqueta

Existem diversos modelos de jaquetas para motociclismo, com preços que variam de R$ 250 a R$ 2.000. Escolha uma em tecido resistente à abrasão, como o tradicional couro ou ainda a cordura. Jaquetas precisam ter proteções internas nos ombros, cotovelos e nas costas.

Luvas

Talvez um dos equipamentos mais renegados pelos motociclistas, as luvas são fundamentais para lhe proteger no caso de uma queda. Afinal, quando caímos, instintivamente, colocamos as mãos no chão. Adquira uma luva adequada para andar de moto, construída em tecido resistente e com proteções para as falanges.

Calças

Caso não queira rodar com calças de cordura ou couro, que são mais pesadas e quentes, existem jeans com tramas reforçadas com kevlar – o mesmo material utilizado nos coletes à prova de balas. As calças jeans para andar de moto também trazem protetores nos joelhos e podem ser uma boa opção para vestir no dia-a-dia.

Calçados

Para rodar no dia-a-dia, uma bota de cano alto, feita para caminhada ou montanhismo, já é melhor do que seu tênis de corrida que, provavelmente, irá sair voando em um acidente. Mas se você circula em rodovias ou vias de trânsito rápido, vale a pena investir em uma bota para motociclista que traz proteções no calcanhar, canela e têm o bico reforçado. Se não quiser usá-la o dia todo, uma opção é levar um calçado mais casual na mochila ou no baú da moto ou scooter.

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