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Desigualdades prejudicam o acesso a direitos das populações periféricas

Estudo em 17 cidades constata como o CEP e a cor da pela de uma pessoa estão diretamente ligados às dificuldades maiores em relação à qualidade de vida, educação, saúde e emprego formal

3 minutos, 47 segundos de leitura

02/08/2022

Por: Apresentado por 99 e Blue Studio

O índice mostra a má distribuição das chances entre pessoas negras e brancas e como as cidades precisam favorecer deslocamentos menores, com integração e redução de custos no transporte de massa. Foto: Getty Images

A população vulnerável, especialmente as pessoas negras, gastaria mais tempo em seus trajetos sem a integração com carros de aplicativos. Esse é apenas um dos resultados do estudo feito em 13 capitais brasileiras e 4 cidades de maior relevância econômica do País, que revela o quanto o crescimento desordenado e a desigualdade interferem na mobilidade e no acesso das populações periféricas a serviços de educação e saúde e empregos formais.

O levantamento, feito pelo Instituto de Pesquisa Multiplicidade Mobilidade Urbana em parceria com o aplicativo 99, utilizou dados públicos oficiais (como PNAD, IBGE, RAIS) e questionários respondidos por usuários da plataforma para medir a acessibilidade da população de 17 cidades ao emprego formal, educação e saúde em 30 minutos (a pé, de bicicleta ou de aplicativo com até R$ 10) ou 1 hora de ônibus, e também sobre integração entre aplicativos e transporte público nas suas viagens.

“O estudo chama nossa atenção para as oportunidades e as desigualdades das cidades e como pessoas brancas chegam mais rápido e mais facilmente a serviços de saúde, educação e trabalho formal. Isso reforça como o CEP de uma pessoa diz muito sobre sua qualidade de vida”, avalia Glaucia Pereira, fundadora e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Multiplicidade Mobilidade Urbana.

Oportunidades desiguais
O estudo criou o Índice de Acesso à Cidade (IAC) para mostrar o quanto cada município está longe ou perto de proporcionar uma cidade que ofereça oportunidades iguais dentre as existentes em emprego formal, educação e saúde, independentemente de raça e local de moradia.

O IAC conta com um importante e novo diferencial, pois dá maior peso para a população de predominância negra, que tende a ser a mais periférica. Isso evita distorções de dados que ocorrem quando se considera as médias nas cidades.

O mesmo indicador também recomenda intervenções que fomentem a equidade de oportunidades, alinhadas à Agenda 2030 da ONU que prioriza não deixar ninguém para trás. “O investimento público e privado, bem como a oferta de serviços nas periferias, geralmente as áreas mais vulneráveis no Brasil, são fundamentais para alavancar um desenvolvimento social e econômico integrado, justo e resiliente. Especialmente frente às crises climáticas, financeiras e sanitárias, entre elas a pandemia do covid-19”, explica Diogo Souto Maior, Diretor de Relações Governamentais da 99.

O que o IAC revela

O IAC é composto por dois subindicadores:
1. Índice de Acesso às Oportunidades em Prol da Redução de Desigualdades (IAOD): mede quantas oportunidades a população consegue acessar em 30 minutos (a pé, de bicicleta ou por meio de aplicativo) ou 1 hora de ônibus

Quando analisado somente o IAOD, a capital paulista tem 34,6% de oportunidades que podem ser acessadas em meia hora (a pé, de bicicleta ou por aplicativo) ou uma hora (ônibus). Natal (57,1%), Curitiba (47%), Recife (46,5%), Belo Horizonte (45,1%), Fortaleza (43,6%), Santo André (43%) e Rio de Janeiro (36,5%) têm desempenho melhor.

Apesar da grande densidade populacional paulistana, as oportunidades estão mal distribuídas e há um grande potencial para a integração com aplicativos, que ajuda a melhorar o índice.

Isso mostra que as cidades precisam ser compactas e ter sobreposição de usos para conectar núcleos residenciais a comércio e serviços para favorecer menores deslocamentos com integração e redução de custos de investimento no transporte de massa.

2. Índice de Integração com Transporte Público (IATP): mede as viagens integradas do aplicativo com o transporte público e o potencial de usuários dispostos a fazer viagens assim.

Passageiros responderam se fizeram ou gostariam de fazer integração aplicativo/ônibus. Se uma cidade tiver 100%, isso indica que todas as viagens foram feitas ou teriam o potencial de ser realizadas com integração entre aplicativos e transporte de massa.

Na análise somente do IATP, apenas 6 das 17 cidades analisadas têm menos da metade do caminho para atingir o ponto ideal de integração entre aplicativo e ônibus.

Campo Grande (78%), Curitiba (66,4%) e São Paulo (66,2%) se destacam na integração modal. Belo Horizonte (11,2%), Campinas (12,8%) e Recife (16,2%) estão mais distantes.

As mais acessíveis para acessar emprego formal e espaços de educação e saúde:
*Em 30 minutos (a pé, de bicicleta ou aplicativo com até R$10) ou 1 hora (ônibus):

1. Natal (57,1%)
2. São Paulo (34,6%)
3. Rio de Janeiro (36,5%)
4. Recife (46,5%)
5. Curitiba (47%)

**Chances iguais:
1. Natal – + 50%
2. Curitiba – + 50%
3. Santo André – 44,1%
4. Fortaleza (42,3%)
5. São Paulo (capital) -40,9%

(Fonte: Instituto de Pesquisa Multiplicidade Mobilidade Urbana/99)

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