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5 razões para exaltar o gp galeão

Não faltam adjetivos positivos para a primeira corrida disputada em aeroporto no Brasil

4 minutos, 2 segundos de leitura

27/04/2022

Por: Alan Magalhães

Retas amplas e muitas disputas no largo circuito do Galeão. Fotos: Duda Bairros

As corridas da Stock Car no GP Galeão, no último dia 10 de março, marcaram o retorno da categoria ao Rio de Janeiro, depois de dez anos de ausência. Após a destruição do autódromo de Jacarepaguá, que deu lugar ao Complexo Olímpico do Rio, a solução dos organizadores para que o Estado voltasse a sediar um grande evento de automobilismo foi construir uma pista dentro do Aeroporto Internacional Rio Galeão Tom Jobim.

O traçado de 3.225 metros proporcionou centenas de trocas de posição, muita disputa e frenagens inacreditáveis. E foi exatamente o pessoal responsável por parar os carros da mais profissional categoria do automobilismo brasileiro, da Fras-le e Fremax, respectivas fornecedoras de discos e pastilhas de freio, que nos ajudou a colher alguns dados interessantes. Confira:

1. Muitas ultrapassagens

Foram registradas 916 trocas de posição na soma das duas corridas. Os números levam em conta as paradas de pit stop, abandonos ou acidentes. Foram 371 as vezes que os pilotos ganharam posições, e o total de trocas representa 37,3% de todas as ultrapassagens já realizadas nesta temporada, que somam 2.456 até agora.

2. Muito espaço para ultrapassar

Por ser utilizada para pousos e decolagens de aviões de grande porte, a pista do Galeão é bastante larga, em comparação com os autódromos tradicionais. “A largura da pista ajudou muito”, destaca Gabriel Casagrande, campeão de 2021 e atual vice-líder na tabela. “E também por chegarmos muito rápido, os pontos de freada eram diferentes de piloto para piloto; então, você podia abusar um pouco do freio para ganhar a posição”, completa.

“Eram curvas largas. A pista toda bem larga, o que possibilitava traçados estrategicamente variados. Então, você tinha altas velocidades ao final das retas e muito espaço; o piloto mais audacioso com os freios, que os usasse com mais confiança, conseguiria um melhor traçado e assim faria a ultrapassagem”, comenta André Brezolin, engenheiro de projeto da Fras-le e Fremax.

3. Altíssimas velocidades

Com a reta principal medindo 700 metros e a segunda reta com 1.550 metros, as velocidades alcançadas pelos Chevrolet Cruze e Toyota Corolla foram as mais altas registradas nesta temporada. Durante a etapa, os pilotos tiveram direito a 13 acionamentos do botão de ultrapassagem (o push to pass), e cada uso tinha a duração de 25 segundos. Com o push, 87% – mais ar/combutível e, portanto, mais potência. Segundo dados da equipe Hot Car Competições, o carro de Felipe Lapenna atingiu a velocidade máxima de 255,6 km/h, em condições normais e sem estar no vácuo de outro carro. Já com o uso do push to pass, a velocidade máxima saltou para impressionantes 271,1 km/h – uma diferença de 15,5 km/h.

4. Frenagens fortíssimas

Os freios também se tornaram protagonistas no GP Galeão da Stock Car. Com longos trechos de aceleração máxima e altíssimas velocidades, foram muito exigidos.

Na primeira curva depois da reta principal, os carros usavam os freios para reduzir de 227 km/h para 75 km/h, em média, redução de 152 km/h em apenas 6 segundos e 185 metros; na curva Petrópolis, após longo trecho de aceleração máxima, os carros da Stock Car reduziam as velocidades de 262 km/h para 78 km/h – redução de 184 km/h em 6,4 segundos e 245 metros, somente.

A temperatura máxima atingida nos discos dianteiros chegou a 759 °C, com média de 630 °C durante a prova. Os traseiros tiveram picos de de 637 °C e média de 450 °C.

5. Tráfego aéreo não foi prejudicado

A utilização da pista comercial 10/28 do Galeão não afetou o funcionamento do aeroporto, e seus pousos e decolagens transcorreram normalmente, no final de semana da etapa da Stock Car, provando que o evento pode coexistir com a operação do aeroporto, sem problema.

Dinâmico e divertido para pilotar

A etapa da Stock Car foi a primeira na história do País a ser realizada em um aeroporto comercial. Além disso, do ponto de vista dos pilotos (dos carros), o traçado foi considerado dinâmico e, acima de tudo, divertido de pilotar. “Foi um final de semana muito legal para a categoria. Gostaria de dar os parabéns aos organizadores pela estrutura. Com a pole e a vitória, consegui sair como líder da tabela”, comemora Daniel Serra, vencedor da primeira corrida.

Daniel Serra venceu e saiu líder da inédito prova disputada em um aeroporto. Foto: Duda Bairros

O companheiro de Daniel na Equipe Eurofarma, Ricardo Maurício, venceu a Corrida 2. “Cheguei em segundo, mas fiquei com a vitória, após decisão dos comissários. Final de semana perfeito para a equipe, que me coloca na briga pelo campeonato”, conclui.

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