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Fábricas locais de ônibus já estão preparadas para fornecimento de modelos elétricos  

Segmento pode até liderar a transformação da indústria automotiva se tiver ajuda do Poder Público

3 minutos, 27 segundos de leitura

29/06/2022

Por: Mário Curcio

Painelistas: Sérgio Avelleda (BYD), Rodrigo Tortoriello (mediador, RT2), Luciano Resner (Marcopolo, no telão) e Iêda Oliveira (Eletra). Foto: Connected Smart Cities

Fabricantes de ônibus instalados no Brasil já estão preparados para a transição dos veículos tradicionais a diesel por modelos elétricos. Foi o que se viu no painel Eletrificação do Transporte Público no Brasil. Qual É o Papel das Empresas para a Transição da Mobilidade Sustentável? “A Marcopolo tem condição de produzir ônibus elétricos com 50% de conteúdo nacional”, afirmou Luciano Resner, diretor de engenharia da empresa, sediada em Caxias do Sul (RS). A bateria e alguns outros itens eletroeletrônicos de alto custo ainda são importados pela companhia.

“Mas o desenvolvimento de produto e software é totalmente feito no Brasil, com possibilidade de customização, de acordo com a operação do cliente”, garante Resner. A fabricante Eletra recorda que o momento é muito propício para disseminar a utilização da eletromobilidade. “A operação de um ônibus elétrico tem custo de energia abaixo de um terço, quando comparado ao diesel”, afirma Iêda Oliveira, diretora comercial da Eletra, que produz trólebus e também modelos híbridos e elétricos a bateria, em São Bernardo do Campo (SP).

Segundo Iêda, a companhia utiliza baterias nacionais e fez um investimento recente a fim de ampliar a capacidade produtiva para 150 unidades, por mês. A Eletra também acredita no mercado potencial de retrofit – ou conversão de ônibus e caminhões tradicionais e movidos a diesel em eletricidade.

“A produção de ônibus elétricos pode liderar a transformação de toda a indústria e criar uma cultura de escala”, afirma o consultor sênior de mobilidade da BYD do Brasil, empresa, de origem chinesa, que, desde 2016, produz chassis para ônibus elétricos, em Campinas (SP).  

“O Brasil já é uma plataforma de produção e exportação de ônibus, mas, se não criarmos uma política de desenvolvimento de modelos elétricos, correremos o risco de perder mais uma indústria ,no País”, diz Avelleda.

Após o moderador Rodrigo Tortoriello (sócio-fundador da consultoria de mobilidade RT2) perguntar sobre como ampliar a demanda e, com isso, a produção, Avelleda e os outros representantes defenderam a necessidade de políticas públicas para o incentivo à produção e à venda de ônibus elétricos. “A aquisição de ônibus elétricos tem valor mais elevado e requer linhas de crédito dedicadas. É verdade que cidades como São Paulo (SP), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Campinas (SP) e Curitiba (PR) estão fazendo um grande esforço, mas precisamos parar de tratar a eletrificação da frota como tarefa dos municípios”, afirmou Avelleda.

“Em todos os países em que houve eletrificação, existiram subsídios”, comentou Resner, da Marcopolo. Iêda Oliveira concordou e lamentou o fato de o Chile e a Colômbia (clientes tradicionais da indústria brasileira) estarem importando ônibus elétricos da Ásia. “Não podemos ficar à margem do que está ocorrendo no mundo”, afirmou a diretora da Eletra.

Ecossistema completo

A Marcopolo é a maior fabricante de ônibus do País, com capacidade para produzir, localmente, 95 unidades, por dia (são 165/dia, na soma de suas plantas no exterior). Luciano Resner recordou que a companhia tem grandes parcerias no segmento de elétricos, e isso capacita a empresa a fornecer um ecossistema completo para atender às necessidades de uma cidade ou de frotistas.

“Também temos expertise para realizar estudos e dimensionamento de opções de fornecimento de energia de recarga, de acordo com a demanda da frota e o tempo de carregamento”, garante Resner. Ainda de acordo com o executivo, a Marcopolo também consegue oferecer, em caráter de teste, seu ônibus elétrico Attivi para que a cidade ou o frotista conheça o veículo e seu potencial.

Iêda Oliveira disse acreditar que os ônibus elétricos também ganharão impulso por causa de suas vantagens, quando comparados aos modelos a diesel. “Eles são silenciosos e trazem conforto ao usuário. Também percebemos a valorização e o interesse dos operadores e suas equipes, não só dos passageiros.”

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