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Num piscar de olhos

Décimos de segundo que podem separar uma vitória triunfal de uma amarga derrota

3 minutos, 3 segundos de leitura

06/10/2021

Por: Alan Magalhães

Forte equilíbrio entre os carros tem sido uma marca da Stock Car deste ano. Foto: Victor Eleutério

Não há como negar, nossa Stock Car Pro Series está cada vez mais encantando o fã da velocidade, seja ele um iniciado no esporte, seja aquele que está chegando agora. Não é para menos, o brasileiro adora esportes motorizados, tanto que, mesmo sem representante na Fórmula 1, forma a audiência que mais cresce no mundo em torno da categoria. No cenário doméstico, a nossa categoria máxima é também a mais longeva e profissional. Em sua 42ª temporada, a Stock Car não para de encantar e surpreender.

E um dos fatores que mais atraem o público são as corridas sensacionais que estão sendo disputadas entre grandes nomes do automobilismo, vários deles com passagens internacionais, como Fórmula 1, Indy, e até um campeão mundial de GT, o paranaense Ricardo Zonta, que também teve passagem pela F1, onde disputou 36 provas entre 1999 e 2004, pelas equipes BAR Honda, Jordan e Toyota.

Milésimos de segundos

O equilíbrio quase inacreditável entre os carros é sempre prenúncio de provas muito disputadas; afinal, se tem uma coisa que espanta a audiência, é uma corrida sem disputas, com os carros espaçados entre si. Mas isso está longe de acontecer na Stock Car Pro Series, em que tanto os grids de largada quanto as chegadas estão tirando o fôlego de quem assiste.

Na mais recente prova da categoria, nada menos do que 28 carros se encaixavam dentro de apenas um segundo no treino classificatório, a partir do tempo marcado pelo Chevrolet Cruze do paulista Felipe Lapenna, o mais rápido, com 1’27”398, até o 28º colocado, Tony Kanaan, que anotou 1’28”364, com seu Toyota Corolla.

Uma olhada rápida nas principais categorias de carros de turismo do mundo nos mostra que, por exemplo, a Australian V8 Supercars, que sempre teve muito equilíbrio, viu 23 carros dentro do mesmo segundo, no grid de largada, em Towsville, Queensland, um circuito de rua que favorece o equilíbrio. O DTM alemão, que, por décadas, foi o principal campeonato de turismo do mundo, enfileirou 18 carros no mesmo segundo do pole, em Assen, Países Baixos. O profissional Super GT japonês teve seus 15 carros do grid no mesmo segundo, na etapa de Sugo.

Já a Porsche Cup, que disputa vários campeonatos pelo mundo com veículos monomarca, dificilmente acomoda mais de dez carros no mesmo segundo do pole position, a não ser na série britânica, que teve 14 carros nesse intervalo de tempo no grid da etapa 11, disputada em Silverstone.

Talvez o maior rival da Stock Car em competitividade seja o BTCC, Britânico de Turismo. Na 8ª etapa, disputada no circuito de Silverstone há duas semanas, olhem a coincidência, 28 carros estavam dentro do mesmo segundo do pole position.

Chegadas de arrepiar

Segundo o Guinness Book, livro que registra recordes mundiais, a chegada mais apertada registrada em uma prova de automobilismo em toda a história foi na pista de Chicago, em uma prova Indy Lights disputada em 2007, com margem de 0,0005 segundo. Circuitos ovais proporcionam esse tipo de diferença, ainda mais em monopostos. Em carros de turismo, a menor diferença em chegada é atribuída à Nascar norte-americana, nas etapas de Darlington, em 2003 (0,002 segundo), e Talladega, em 2011 (0,002 segundo).

Para se ter uma ideia, uma piscada de olho demora entre 0,10 e 0,15 centésimos de segundo. A chegada da segunda prova da nona etapa da Stock Car Pro Series foi decidida por 0,010, 10 milésimos de segundo; portanto, daria para essa chegada ser repetida dez vezes até que o músculo da sua pálpebra, que, por sinal, é o mais rápido do corpo, completasse uma piscada de olhos.

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