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Um stock car na sua garagem  

Considerado laboratório perfeito, o automobilismo impacta seu dia a dia

3 minutos, 58 segundos de leitura

25/05/2022

Por: Alan Magalhães

Componentes como pneus e freios são exigidos ao limite na Stock Car. Foto: Duda Bairros

Não são poucos os sistemas que atuam por trás da nossa mobilidade no dia a dia. O prosaico ato de virar a chave ou apertar um botão, antes de sairmos com nosso carro, é resultado de séculos de invenções e evoluções, graças aos esportes motorizados.

O automobilismo sempre serviu para acelerar o desenvolvimento de componentes, impactando diretamente na segurança ativa e passiva dos carros, cujos resultados, invariavelmente, acabam migrando para os diversos modais de transporte que utilizamos. Se esse esporte carrega consigo a pecha de ser perigoso, por outro lado, obrigou a desenvolver sistemas que protejam os pilotos ou condutores, como nós, nas pistas e ruas.

Resultados de ensaios em laboratório nem sempre combinam com aqueles colhidos na prática. Por isso, fabricantes e fornecedores mantêm complexos campos de prova, como o Circuito Panamericano, mais avançado do mundo, da Pirelli, localizado na cidade de Elias Fausto (SP), inaugurado em 2020. São sete pistas diferentes, que somam 22 quilômetros de extensão e permitem a realização de até 15 testes distintos, simultaneamente. Mas não abrem mão do automobilismo.

Se, em uso normal, os pneus do seu carro duram cerca de 60 mil quilômetros ou até mais, em uma corrida, acabam em uma hora ou menos. “A Pirelli, efetivamente, considera o automobilismo como um laboratório a céu aberto, evoluindo seus produtos, com ênfase não somente no desempenho, mas também na segurança. Usamos o que aprendemos nas pistas – por exemplo, na Stock Car –, desenvolvendo pneus para veículos de uso cotidiano”, informa Fabio Magliano, gerente de produtos Carro e Motorsport da Pirelli para a América Latina.

O sistema de freio também é crucial quando se fala em segurança. De sapatas de madeira aplicadas sobre rodas de carroças evoluímos para sistemas e materiais de alta tecnologia, como a fibra de carbono, que apareceu nos freios do avião supersônico Concorde, migrando para as pistas por meio do projetista sul-africano Gordon Murray. Posteriormente, a cerâmica e, atualmente, a aplicação de nióbio elevaram os padrões de efetividade e segurança.

Na Stock Car, os freios (discos e pastilhas) são fornecidos pela Fremax, que aproveita as experiências feitas na mais profissional categoria do Brasil para aprimorar seus produtos, disponíveis nas oficinas e lojas de autopeças. “Na Stock Car, em que o requisito principal é o atrito, os discos dispõem dos slots, aquelas ranhuras que têm como função promover a renovação da superfície de contato da pastilha por meio dessa ‘raspagem ou dressamento’ da superfície”, informa Ronaldo Chremonezi, gerente de engenharia e qualidade da Fremax. Sistemas flutuantes, que mitigam imperfeições, variações dimensionais e tensões que surgiriam em um sistema rígido, nasceram nas pistas e são utilizados, atualmente, em carros de produção.

A célula de sobrevivência

Na chamada “época romântica” do automobilismo, imagens antigas nos revelam pilotos com metade do corpo para fora de carros potentes, com pneus finos e freios a tambor, responsáveis por estabilizar bólidos que ultrapassavam os 200 km/h. O índice de fatalidades era enorme, mas foi diminuindo com o tempo, à medida que a segurança evoluiu. Chassis mais rígidos, adoção de estruturas tubulares (gaiola) em torno do condutor, apelidadas de santantônio, passaram a proteger os pilotos.

Na Stock Car, até 2019, utilizava-se essa gaiola, que recebia uma cobertura de fibra de vidro com o formato da carroceria. Atualmente, parte dos monoblocos dos modelos envolvidos, Chevrolet Cruze e Toyota Corolla, acopla-se à gaiola tubular, resultando em uma estrutura ainda mais rígida e segura.

Portanto, na próxima “virada de chave”, antes de sair com seu carro, lembre-se de que Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Chico Serra, Cacá Bueno, Rubens Barrichello e Felipe Massa fazem, de alguma forma, parte da sua viagem.

Detalhe de gaiola de segurança, banco concha e cinto de segurança de um Stock Car. Foto: Duda Bairros

Surgido, também, em carroças, no final do século 19, o cinto de segurança, primeiramente, migrou para a aviação e, depois, para os carros, ainda com apenas dois pontos de ancoragem. Em 1958, surgia o cinto de três pontos, como utilizamos até hoje.

Fundamentais na segurança de condutores e passageiros, na Stock Car, eles têm cinco pontos, que garantem a firmeza do corpo dos pilotos, envolto por banco tipo concha, com suportes laterais e de cabeça, cujo desenho também migrou para nossos carros do dia a dia.

Sistemas encontrados, atualmente, até em carros populares, contam com tecnologia de pré-tensionamento, que garante a segurança dos ocupantes, antes mesmo de o impacto acontecer.

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