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Mobilidade para quê?

Setor automotivo enfrenta desafios, mas vislumbra boas oportunidades no Brasil

O Summit Indústria Automotiva 2022, promovido pelo Estadão, debateu durante dois dias em evento online diversos aspectos que compõem o ecossistema do setor; resultado revela os entraves mas aponta as saídas

4 minutos, 29 segundos de leitura

08/05/2022

Por: Hairton Ponciano Voz

Antonio Filosa comanda as operações na América do Sul do Grupo Stellantis, que reúne marcas como Citroën, Fiat, Jeep, Peugeot e RAM. Foto: Leo Lara/Stellantis

A situação do mercado automotivo brasileiro deve piorar antes de melhorar. As fábricas ainda estão enfrentando paralisações motivadas por falta de componentes, especialmente semicondutores. Inflação e juros altos pressionam os preços e comprometem o financiamento, o que prejudica as vendas. Mas a crise também abre oportunidades. A indústria já discute a possibilidade de produzir localmente componentes importados que tiveram o fornecimento prejudicado. Pandemia, eventos climáticos em diferentes pontos do planeta (nevasca, incêndios, tsunamis) e mais recentemente a guerra na Ucrânia evidenciaram a fragilidade da cadeia global de fornecimento de autopeças. “É preciso estudar para ver o que faz sentido economicamente (de nacionalizar a produção). A pandemia trouxe o problema, mas estou olhando como oportunidade”, declarou o ex-presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

Estes e outros temas foram debatidos no Summit Indústria Automotiva 2022, promovido pelo Estadão. Durante dois dias, o evento online reuniu profissionais de várias áreas que compõem todo o ecossistema necessário para a produção de automóveis. A partir da análise do presente, foi possível traçar um panorama do futuro. O analista de mercado da consultoria britânica GlobalData José Augusto Amorim declarou que o mercado este ano deve ficar abaixo de 2 milhões de unidades. Mas ele considera que, mesmo vendendo menos, a indústria não deve perder faturamento, porque a produção está se deslocando para segmentos de maior valor agregado, caso de picapes e SUVs. Assim, o preço maior compensa o volume menor. No painel “Quando acabará a crise no setor automotivo?”, ele chamou atenção para o fato de que o preço médio dos automóveis subiu de R$ 87 mil em 2019 (antes da pandemia) para R$ 144 mil este ano, alta de 65%. De acordo com suas projeções, em 2024 os SUVs deverão superar a marca de 1 milhão de unidades vendidas. Com isso, irão assumir a liderança de vendas. O mercado total deverá atingir a marca de 4 milhões de unidades apenas na próxima década, prevê o analista.

O presidente da Stellantis para a América do Sul (grupo que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e RAM), Antonio Filosa, afirmou no painel “Competitividade da Indústria Automotiva no Brasil” que a indústria brasileira é competitiva mundialmente, mas apenas “da porta para dentro” das fábricas. Segundo ele, do lado de fora dos muros as fabricantes instaladas no País perdem competitividade.

Luiz Carlos Moraes esteve à frente da Anfavea na fase mais crítica da pandemia. Foto: Anfavea

Melhorar a estrutura logística e descentralizar os polos de produção é vital para a indústria

Entre os problemas, ele listou falta de infraestrutura de portos, aeroportos e estradas, além de carga tributária excessiva. No mesmo painel, o presidente do Sindipeças (associação dos fabricantes de autopeças), Cláudio Sahad, enfatizou a excessiva burocracia, chamando atenção para o fato de que no País há empresas com até cem pessoas trabalhando no departamento fiscal e tributário “apenas para apurar impostos”, um trabalho que segundo ele pode ser feito por duas pessoas em outros países.

A burocracia é ainda maior do que a carga tributária. Não é possível gastar mais de dez vezes o tempo necessário para apurar impostos

Claudio Sahad – Presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos

Entregar a peça certa no momento exato na linha de montagem tem sido outro desafio. Um pequeno atraso pode causar a paralisação de todos os funcionários da produção, porque as indústrias trabalham com pouco estoque. Atrasos em navios, falta de contêineres e rodovias em mau estado são alguns dos entraves que prejudicam a logística.

Tecnologia

A tecnologia tem sido uma ferramenta fundamental em várias áreas. No transporte, ela serve para aprimorar a eficiência nas entregas. Por meio de monitoramento remoto, fabricantes e transportadoras acompanham o trajeto de caminhões e podem até mesmo corrigir eventuais falhas no modo de condução do motorista. Graças a esse acompanhamento, empresas de transporte conseguem obter redução de combustível e de horas paradas para manutenção.

A atualização remota de software dos automóveis permite que os automóveis mais modernos recebam correções de programas e novas funções da mesma forma como smartphones, sem que o motorista precise agendar visita à concessionária.

Quanto à propulsão e combustíveis, opções como carros híbridos flexíveis, elétricos alimentados por hidrogênio, híbridos com sistema de 48 Volts e caminhões movidos a gás natural são algumas das alternativas, tanto para o presente como para um futuro próximo. 

É preciso promover uma descentralização, para equalizar as diferenças entre as regiões e atrair mais investimentos

Antonio Filosa – Presidente da Stellantis na América do Sul, grupo que reúne a FCA e a PSA

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